A segurança na cirurgia de prótese de mama depende diretamente do controle de bactérias e da prevenção de biofilme na superfície do implante. Este artigo explica, em linguagem acessível para leigos e cirurgiões plásticos, o 14-Point Plan de Adams e Deva, que reduz contratura capsular, infecção e risco de BIA‑ALCL. Com destaque especial para o ponto 9, mostramos como minimizar a contaminação pela pele na hora da inserção do implante e o papel do funil de inserção hydrocone® como barreira eficaz entre a pele e o implante.
Leia MaisA estética pode contribuir para a autoestima, a autoconfiança e o bem-estar feminino. No entanto, a exposição constante a padrões de beleza idealizados pode gerar insatisfação corporal, ansiedade e comportamentos prejudiciais. Neste artigo, entenda a relação entre estética, autoimagem corporal, qualidade de vida e saúde mental, além da importância de realizar procedimentos com segurança, informação e acompanhamento profissional.
Leia o artigo e conheça os sinais de alerta!
Categoria: Saúde e bem-estar
Tempo de leitura: 8 minutos
Introdução
Cuidar da aparência pode fazer parte de uma rotina saudável de autocuidado. Para muitas mulheres, tratamentos estéticos, atividades físicas, cuidados com a pele, cabelos e corpo estão relacionados à autoestima, à autoconfiança e à sensação de bem-estar.Entretanto, a preocupação com a aparência também pode se transformar em fonte de sofrimento quando está associada à comparação constante, à busca por um padrão de beleza irreal ou à sensação de que o próprio valor depende exclusivamente da aparência física.
Um estudo publicado em 2024 na Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação analisou a relação entre estética feminina, satisfação com a autoimagem corporal e qualidade de vida. A pesquisa destaca que os padrões estéticos contemporâneos podem influenciar aspectos emocionais, comportamentais e cognitivos, afetando a autoestima e o bem-estar psicológico.
A questão central, portanto, não é se cuidar ou realizar procedimentos estéticos. O mais importante é compreender qual é a motivação por trás dessa busca, quais expectativas estão envolvidas e como preservar a saúde física e mental durante o processo.

O que é imagem corporal?
A imagem corporal é a maneira como uma pessoa percebe, interpreta e sente o próprio corpo. Ela não corresponde apenas à aparência observada no espelho. Também envolve:
- pensamentos sobre o corpo;
- sentimentos de satisfação ou insatisfação;
- percepção de peso, forma e tamanho;
- confiança para se relacionar socialmente;
- atitudes relacionadas à alimentação, aos exercícios e aos tratamentos estéticos.
De acordo com a perspectiva apresentada no estudo analisado, a imagem corporal é multidimensional e pode ser compreendida em três planos:
- Físico: relaciona-se às características corporais e à aparência percebida.
- Psíquico: envolve autoestima, emoções, pensamentos e possíveis distorções na percepção do corpo.
- Sociológico: corresponde à influência da cultura, da mídia, da família, dos grupos sociais e das redes digitais.
Isso significa que a forma como uma mulher se enxerga não é construída de maneira isolada. Experiências pessoais, comentários recebidos ao longo da vida, padrões culturais e imagens consumidas diariamente podem influenciar a relação com o próprio corpo.
Como os padrões de beleza afetam as mulheres?
A sociedade sempre estabeleceu determinados ideais de beleza. No entanto, as redes sociais ampliaram a velocidade e a frequência com que esses padrões são apresentados.Fotos com filtros, edições, iluminação profissional, poses específicas e procedimentos prévios podem criar a impressão de que determinados corpos e rostos são naturais, comuns e obrigatórios.
Muitas vezes, porém, essas imagens não representam a realidade cotidiana.A exposição contínua a padrões idealizados pode favorecer:
- comparação excessiva;
- insatisfação com o próprio corpo;
- sentimento de inadequação;
- preocupação constante com a aparência;
- vergonha de frequentar determinados ambientes;
- redução da autoestima;
- comportamentos alimentares prejudiciais;
- prática compulsiva de exercícios;
- procura repetitiva por procedimentos.
A Organização Mundial da Saúde reconhece que a saúde mental está relacionada ao bem-estar emocional, psicológico e social. Dessa forma, a insatisfação corporal persistente não deve ser tratada como uma preocupação superficial, pois pode interferir nas relações, no trabalho, na alimentação, no sono e na participação social.
Redes sociais e comparação corporal
As redes sociais podem ter efeitos positivos, como facilitar o acesso à informação, estimular comunidades de apoio e ampliar a representação de diferentes corpos e estilos de vida. Porém, também podem intensificar a comparação social.
Uma pessoa que visualiza diariamente imagens cuidadosamente selecionadas pode passar a comparar sua rotina real com uma versão editada da vida de outras pessoas. Essa comparação tende a ser injusta, pois desconsidera fatores como:
- genética;
- idade;
- condições de saúde;
- histórico corporal;
- acesso a tratamentos;
- recursos financeiros;
- edição de imagem;
- iluminação e enquadramento;
- tempo disponível para exercícios e cuidados pessoais.
A American Psychological Association chama atenção para a necessidade de uma utilização consciente das redes sociais, especialmente diante dos impactos que determinados conteúdos podem exercer sobre a saúde mental e a percepção de si.
Embora a recomendação da APA esteja concentrada principalmente no público adolescente, seus princípios também são úteis para adultos: é importante observar como determinados conteúdos influenciam o humor, a autoestima e a relação com o próprio corpo.
A estética pode melhorar a autoestima?

Sim. Procedimentos estéticos e práticas de autocuidado podem contribuir para uma percepção mais positiva da aparência e para o bem-estar de algumas pessoas.
Um tratamento pode ajudar, por exemplo, uma mulher que deseja melhorar uma característica específica, recuperar a confiança após uma alteração corporal ou simplesmente reservar um momento para cuidar de si.
O estudo analisado aponta que a estética pode estar associada a:
- aumento da autoconfiança;
- sensação de renovação;
- maior satisfação com a aparência;
- percepção de autocuidado;
- melhora da disposição para atividades sociais;
- fortalecimento da sensação de autonomia.
Entretanto, essa relação não é automática nem igual para todas as pessoas.
Um procedimento pode produzir satisfação, mas não substitui o tratamento de questões emocionais profundas, como ansiedade, depressão, transtornos alimentares ou preocupação excessiva com defeitos que outras pessoas quase não percebem.
Por isso, é importante evitar a promessa de que um procedimento estético, sozinho, resolverá problemas de autoestima ou transformará completamente a qualidade de vida.
Quando a busca estética se torna preocupante?

A preocupação com a aparência merece atenção quando começa a ocupar espaço desproporcional na vida da pessoa ou quando provoca sofrimento significativo.
Alguns sinais de alerta incluem:
- passar muitas horas examinando ou escondendo uma característica física;
- evitar fotografias, encontros ou situações sociais por vergonha da aparência;
- comparar-se de forma repetitiva com outras pessoas;
- realizar procedimentos sucessivos sem alcançar satisfação;
- buscar tratamentos cada vez mais invasivos por impulso;
- sentir ansiedade intensa diante do espelho;
- deixar de trabalhar, estudar ou conviver por causa da aparência;
- adotar dietas extremas ou exercícios compulsivos;
- acreditar que não será feliz ou aceita sem modificar o corpo;
- solicitar procedimentos incompatíveis com a realidade ou com a própria segurança.
Esses sinais podem estar relacionados a sofrimento psicológico e, em alguns casos, a condições como transtornos alimentares ou transtorno dismórfico corporal.
A NHS — National Health Service explica que o transtorno dismórfico corporal envolve uma preocupação intensa com uma suposta falha na aparência, que pode ser pequena ou não percebida pelas outras pessoas. Somente um profissional habilitado pode realizar diagnóstico. A presença de um ou mais sinais não significa, necessariamente, que a pessoa tenha um transtorno. Porém, indica que pode ser importante buscar avaliação psicológica ou médica.
O papel do profissional de saúde em relação a estética
O profissional de saúde que se propõe a entregar um resultado estético possui uma responsabilidade que vai além da aplicação de técnicas. O atendimento deve considerar a individualidade, as expectativas, as condições de saúde e os limites de cada cliente.
Um atendimento ético e humanizado normalmente inclui:
- escuta cuidadosa das necessidades da cliente;
- avaliação adequada antes do procedimento;
- explicação clara sobre benefícios, limitações e riscos;
- expectativas realistas;
- respeito à autonomia e ao consentimento;
- indicação de procedimentos compatíveis com a formação profissional;
- orientação para procurar outros profissionais quando necessário;
- ausência de promessas exageradas;
- preservação da privacidade e da dignidade da cliente.
A Lei do Ato Médico (Lei nº 12.842/2013) regulamenta o exercício da medicina no Brasil. Ela define quais ações e procedimentos de saúde são exclusivos de profissionais com diploma superior em medicina e registro no Conselho Regional de Medicina, visando proteger a segurança dos pacientes.
Como escolher um procedimento de forma segura?
Antes de decidir por um tratamento estético, é recomendável refletir sobre alguns pontos.
1. Qual é a minha motivação?
Pergunte a si mesma:
- Estou fazendo isso por vontade própria?
- Sinto que preciso me modificar para ser aceita?
- Estou tentando atender a uma pressão externa?
- Espero que o procedimento resolva um problema emocional?
- Tenho uma expectativa realista sobre o resultado?
A motivação não precisa ser “perfeita”, mas é importante que a decisão seja consciente e não baseada apenas em medo, vergonha ou pressão.
2. O procedimento é realmente necessário?
Nem toda insatisfação precisa ser corrigida por um tratamento. Algumas características fazem parte da diversidade natural dos corpos e não representam um problema de saúde.A decisão deve considerar não apenas o desejo de mudança, mas também os riscos, os custos, o tempo de recuperação e a possibilidade de frustração com o resultado.
3. O profissional é habilitado?
Verifique:
- formação e registro profissional, quando aplicável;
- experiência com o procedimento;
- condições de higiene do local;
- informações sobre produtos e equipamentos;
- autorização sanitária do estabelecimento;
- existência de avaliação e termo de consentimento.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária — Anvisa disponibiliza orientações relacionadas à segurança de serviços e produtos sujeitos à vigilância sanitária.
4. Recebi informações completas?
Antes de realizar qualquer procedimento, a cliente deve saber:
- como ele é realizado;
- quais resultados são possíveis;
- quais são os efeitos adversos;
- quais cuidados devem ser adotados;
- quanto tempo pode levar a recuperação;
- quando o procedimento não é indicado;
- quais profissionais podem realizá-lo legalmente.
Desconfie de promessas como “resultado garantido”, “sem nenhum risco”, “transformação imediata” ou “corpo perfeito”.
Estratégias para construir uma relação mais saudável com o corpo
A satisfação corporal não depende apenas da aparência. Ela também pode ser fortalecida por mudanças na forma de pensar, sentir e agir.
Reduza a comparação nas redes sociais
Reavalie as contas que você acompanha. Dê preferência a perfis que apresentem diversidade corporal, informações responsáveis e uma visão realista do autocuidado.Também pode ser útil observar como você se sente após navegar pelas redes. Se determinado conteúdo provoca tristeza, ansiedade ou sensação de inferioridade, talvez seja necessário reduzir a exposição.
Valorize a funcionalidade do corpo
O corpo não precisa ser apreciado somente por sua aparência. Ele também permite:
- movimentar-se;
- trabalhar;
- abraçar;
- descansar;
- respirar;
- criar;
- cuidar de outras pessoas;
- vivenciar experiências.
Reconhecer a funcionalidade corporal não elimina o desejo de mudar algo, mas ajuda a ampliar a percepção sobre o próprio corpo.
Pratique autocuidado sem punição
Atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e cuidados estéticos podem fazer parte de uma rotina saudável. O problema surge quando essas práticas são utilizadas como punição ou quando provocam dor, culpa e exaustão constantes.A Organização Mundial da Saúde recomenda a prática regular de atividade física considerando os benefícios para a saúde física e mental. O objetivo deve ser promover saúde e qualidade de vida, e não perseguir um padrão corporal impossível.
Procure apoio profissional
Psicólogos podem ajudar no desenvolvimento da autoestima, na redução da comparação, na identificação de pensamentos autocríticos e na construção de uma relação mais equilibrada com o corpo.Em situações de sofrimento intenso, alterações alimentares, ansiedade persistente ou preocupação excessiva com a aparência, também pode ser necessária uma avaliação médica e multiprofissional.
Estética e saúde devem caminhar juntas
A estética pode ser uma forma legítima de autocuidado, expressão pessoal e bem-estar. Realizar um procedimento não significa falta de aceitação do próprio corpo, assim como optar por não realizá-lo não significa descuido.O ponto fundamental é garantir que a escolha seja livre, informada, segura e compatível com a realidade da pessoa.A busca por melhorias estéticas torna-se mais saudável quando:
- respeita a individualidade;
- não está baseada em vergonha;
- não depende de padrões inatingíveis;
- considera riscos e limitações;
- não substitui cuidados médicos ou psicológicos;
- preserva a autonomia;
- promove satisfação sem gerar dependência de novos procedimentos.
Como destaca o estudo sobre estética, autoimagem e qualidade de vida, a aceitação da diversidade corporal é essencial para reduzir a pressão estética e favorecer uma relação mais positiva com o próprio corpo.
Conclusão
A aparência pode influenciar a autoestima e a qualidade de vida, mas não deve definir o valor de uma mulher. Procedimentos estéticos e práticas de autocuidado podem contribuir para o bem-estar quando realizados de maneira consciente, segura e equilibrada.Por outro lado, a pressão por alcançar padrões irreais pode favorecer ansiedade, isolamento, baixa autoestima, comportamentos alimentares prejudiciais e sofrimento psicológico. Promover saúde e bem-estar exige uma abordagem ampla, que valorize tanto os cuidados físicos quanto a saúde mental. Nesse processo, profissionais de estética, psicólogos, médicos, nutricionistas, educadores e familiares têm papéis complementares.A verdadeira relação saudável com a estética não está em buscar uma aparência perfeita, mas em fazer escolhas que respeitem a singularidade, a segurança e a qualidade de vida de cada pessoa.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica, psicológica ou de outro profissional de saúde habilitado.
Cuidar da aparência pode fazer parte do autocuidado, mas a saúde deve estar sempre em primeiro lugar. Acompanhe a Revista Admedic para encontrar informações confiáveis sobre estética, saúde mental e qualidade de vida.
Referências
- BISPO DE GODOI, Myllena Pereira; PINTO, Katiely Vieira; CARDOSO, Lahís Alves Lopes. A influência da estética para mulheres e a qualidade de vida na satisfação com a autoimagem corporal. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 10, n. 6, 2024. DOI: 10.51891/rease.v10i6.14429.
- AMERICAN PSYCHOLOGICAL ASSOCIATION. Health advisory on social media use in adolescence. American Psychological Association.
- BRASIL. Lei nº 12.842, de 2013. A Lei do Ato Médico (Lei nº 12.842/2013) regulamenta o exercício da medicina no Brasil.
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Serviços de saúde e segurança sanitária. Anvisa.
- NATIONAL HEALTH SERVICE. Body dysmorphic disorder — overview. NHS.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Mental health. World Health Organization.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Physical activity. World Health Organization.





















